"Resgatamos a sabedoria ancestral da Aromaterapia", diz Fábián László

Fábián László Flegner, aromatólogo, CEO e fundador da Laszlo Aromaterapia e da Editora Laszlo, fala sobre a versatilidade de uso dos óleos essenciais, que envolve desde cuidar da mente e do espírito ao crescente surgimento em protocolos clínicos e dermatológicos. Fabián é um dos principais estudiosos sobre Aromaterapia no Brasil. Já atuou ministrando disciplinas de Reiki, Aromaterapia e Cromaterapia, incluindo em extensões universitárias de faculdades como UFV (Universidade Federal de Viçosa) e UFBA (Universidade Federal da Bahia). A mini-entrevista foi concedida à Bruno Vieira Feijó, cofundador da loja online Beleza do Campo. Leia os principais trechos:

Por muitos anos, a Aromaterapia foi (e ainda é) encarada por muita gente como uma terapia alternativa ou restritamente paliativa, baseada no "cheirinho bom" que algumas fragrâncias exalam, trazendo conforto e bem-estar. Porém, nos últimos anos, os estudos científicos sobre os efeitos da Aromaterapia têm aumentado. Pelo menos temos a impressão que a divulgação de pesquisas está mais intensa. A própria Editora Laszlo vem publicando livros que respaldam o uso de óleos essenciais na dermatologia e em protocolos clínicos. Como você enxerga essa evolução?

Fábián - Hoje a humanidade está passando por um resgate do verde, em busca do que é mais ecológico, sustentável e saudável. Não é difícil constatar, por exemplo, o crescimento do vegetarianismo e do consumo de produtos orgânicos. Obviamente esse estado de conscientização humana também mobiliza o trabalho de cientistas que estão nas universidades e nas empresas para que abordem os recursos naturais dentro de suas pesquisas. Sobre o óleo essencial especificamente, trata-se de um recurso da natureza muito versátil. Ele tem uma composição química complexa, que abre a possibilidade de ser testado em inúmeras circunstâncias. Um mesmo óleo essencial pode ser estudado para amenizar a depressão, diminuir a dor e combater fungos e bactérias. Eu já vi uma mesma substância aromática sendo pesquisada no campo veterinário e na psicologia das emoções humanas. Isso tudo acaba impulsionando uma quantidade maior de estudos e ensaios sobre óleos essenciais e plantas aromáticas. Ainda assim, acredito que estejamos apenas na "ponta do iceberg". Há uma profundidade de oceano a ser explorada.

A bem da verdade, tivemos um avanço incrível nos estudos sobre receptores olfativos na última década. Descobriu-se, por exemplo, que temos cerca de mil genes (3% do nosso código genético) ligados ao olfato. Além disso, descobriu-se que o corpo tem receptores olfatórios não só no nariz, mas em todas as células, como no coração, no cérebro e na pele. Tudo sente cheiro. E esse cheiro influencia profundamente o corpo. São fatos que abrem portas para descobrir potenciais interações de moléculas odoríferas em diversas funções no organismo, como balanceamento de hormônios, controle da pressão arterial e produção de novos neurônios.

O Grupo Laszlo detém hoje uma licença para fabricar óleos essenciais que podem ser ingeridos sob a forma de aromatizantes naturais para alimentos. Por outro lado, do ponto de vista terapêutico, a ingestão de óleos essenciais sempre dividiu os especialistas quanto às questões de segurança e efetividade. Qual a sua opinião sobre o assunto?

Fabián - Posso dizer tranquilamente que fui um dos responsáveis por introduzir a escola francesa da Aromaterapia no Brasil, um segmento que faz a ingestão de óleos essenciais. Até o início dos anos 2000, isso era bem pouco conhecido por aqui. Dali em diante, viajei pelos quatro cantos do Brasil ensinando a forma de uso, sempre utilizando metodologias científicas, responsáveis e criteriosas. No período em que ministrei esses treinamentos, nunca presenciei alunos meus se intoxicando com óleo essencial. É um cenário diferente do que eu vejo acontecer hoje. Muita gente tem ingerido óleos essenciais de forma indiscriminada, às vezes sem nenhuma necessidade justificável, estimulada por pseudo-especialistas que não sabem nada sobre toxidade ou eventuais interações medicamentosas. Atualmente, o ponto que precisamos debater não é se pode ou não ingerir óleo essencial. Já sabemos que pode. Tanto que óleos essenciais já são usados como flavorizantes naturais pela indústria de alimentos há muito tempo. O que precisa ser estudado é como ingerir o óleo essencial, estabelecendo critérios e responsabilidades. Sobre isso, podemos fazer uma comparação com o que aconteceu com a fitoterapia. Qualquer pessoa pode extrair ervas e sair tomando chás aleatoriamente ou será que a infusão e a cocção de ervas também podem fazer mal?? A gente aprendeu que há determinadas plantas que interagem com medicamentos e podem até causar transtornos graves.

Algo muito importante é separar o uso de óleos essenciais com fins terapêuticos e o uso de óleos essenciais como aromatizantes, ou seja, para dar sabor aos alimentos. A quantidade de óleo essencial usada para saborizar a comida é muito pequena. Você não consegue (e não deve) colocar doses excessivamente altas a ponto de intoxicar um alimento, porque isso estragaria a receita toda. Quando se usa mais que uma gotinha simples, a comida fica intragável e o suco fica horrível. Eu diria que o uso como flavorizante carrega uma margem de segurança que é o próprio paladar humano. Mas existem normas e regulamentos que devem ser seguidos, como quantidades máximas de doses. 

Equilibrar as emoções é tão importante para a saúde quanto tratar uma doença física. Nesse contexto, a grande polivalência da Aromaterapia parece estar na capacidade dos óleos essenciais em atender tanto alguns critérios clínicos como aspectos mais holísticos, que envolvem cuidar da mente e do espírito usando os poderes da natureza. Na sua opinião, como a Aromaterapia consegue fazer essa intersecção entre protocolos científicos e a sabedoria empírica dos nossos ancestrais?

Fabián - Costumo dizer que a Aromaterapia é a única terapia que consegue atuar nos campos físicos, mentais, emocionais e espirituais ao mesmo tempo, pois ela trabalha desde aspectos como uma dor ou um corte superficial na pele, como também no equilíbrio dos pontos de energia vital ao longo da linha média do corpo e no contato com o Divino Sagrado, nos elevando à um estado de iluminação e de amparo espiritual. Esses campos se cruzam naturalmente na vida humana. Se estamos tristes, a mente não produz com eficiência. Se estamos felizes, a mente costuma apresentar maior capacidade de concentração. Em todas essas áreas, há um histórico muito antigo envolvendo o uso de ervas aromáticas.

Nos últimos tempos, venho estudando sobre o potencial da cannabis sativa, uma planta que se mostra cada vez mais como um tratamento seguro de diversas condições de saúde. Há resquícios de terpenos de óleo extraído da cannabis em achados arqueológicos de 3.000 a 4.000 anos a.C, na China, onde já era utilizada em procedimentos contra doenças. Sabe-se que o Egito Antigo também fazia uso de diferentes óleos essenciais em cerimônias religiosas e no cuidado da beleza. E há usos comprovados entre índios de diversas culturas. Acredito que vivenciamos um período feliz, onde estamos resgatando para a realidade contemporânea o conhecimento ancestral que a humanidade carrega, porém com uma visão mais rigorosa e um pouco mais acadêmica, o que é muito bom.

➤ A Laszlo tem hoje uma das maiores variedades de óleos essenciais confiáveis produzidas no país, resultado da extração de plantas ao redor do mundo. Veja aqui a relação de produtos, encomende online e receba em casa. A Laszlo também possui uma editora, responsável pela publicação de livros referências em aromaterapia e saúde holística. Conheça as obras disponíveis.

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