Bulgária ultrapassa França na produção de Lavanda

Você sabia que a França vem perdendo o posto de maior produtor mundial de Óleo Essencial de Lavanda para a Bulgária? Na verdade, isso acontece ano a ano, desde 2017. Naquele momento, a Bulgária produziu sozinha 200.000 toneladas de Óleo de Lavanda em uma área de 4.500 hectares (um aumento de cinco vezes em relação a uma década atrás), segundo dados da consultoria InteliAgro, o que representou cerca de 52% da fabricação no mundo. Já a França produziu 117.000 toneladas em uma área de 4.662 hectares, algo em torno de 26% do mercado. Em 2022, a porcentagem tende a ser vantajosa para a Bulgária novamente.

Hoje, as plantações de Lavanda estão espalhadas pelo centro, sul e nordeste da Bulgária, e principalmente no famoso Rose Valley, no sopé da cordilheira dos Bálcãs, onde os campos ao redor da pequena vila de Tarnicheni ficam roxos no final da primavera. O mais interessante é que o sucesso da empreitada estimulou o governo a adotar uma estratégia de longo prazo. O Ministério da Agricultura búlgaro mantém um Plano Nacional para o Desenvolvimento da Agricultura Orgânica até 2027, que inclui aconselhamento gratuito e treinamento profissional para agricultores orgânicos. O objetivo é estabelecer o país como líder em vários produtos orgânicos. Resultado: de 26.662 hectares em 2011, as áreas organicamente certificadas na Bulgária aumentaram para 162.332 hectares em 2018 - algo que o Brasil poderia se inspirar. O país está entre os líderes da Europa em número de colmeias de abelhas, atendendo aos requisitos da agricultura orgânica, e, além da Lavanda, já é o maior produtor orgânico de Óleo de Rosas do mundo. A produção de Óleo Essencial de Erva-Cidreira (Melissa officinalis) também vem crescendo. 

Já na França, a Lavanda é cultivada há um século e meio, com sua produção concentrada no sopé dos Alpes, na Provence. Seu cultivo em escala surgiu com o desenvolvimento de fábricas de perfumes em torno da cidade de Grasse, nas colinas acima da Riviera Francesa. No entanto, a área plantada está em constante declínio no país, assim como o tempo de vida de uma plantação — antes era de 14 anos e agora baixou para menos de 10 anos. Um conjunto de fatores explicam isso. Além da concorrência com outras regiões e países, na última década as plantas sofreram uma infecção crônica por cepas denominadas "Ca. Phytoplasma solani”, detectada entre 19% a 56% das plantas doentes analisadas (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6275342/). Os vetores parecem ser adultos e ninfas da cigarrinha Hyalesthes obsoletus.

Mas o maior ameaça atual são as secas, ventos fortes e geadas cada vez mais imprevisíveis, consequências das mudanças climáticas. No fim de junho de 2002, fazia 37°C, uma temperatura extrema para a Provence, e a seca vinha desde maio. A Lavanda é muito sensível e requer temperaturas de 20°C a 30°C no final da primavera e início do verão. 

Os produtores franceses argumentam que não conseguem mais competir em termos de preço. No entanto, eles julgam que têm cartas na manga, como conhecimento acumulado, rastreabilidade e variedades adaptadas ao solo. Isso é importante para alguns compradores. A Lavanda Fina (AOP) de grau mais alto, por exemplo, deve ser cultivada em condições especiais e no mínimo a 800m acima do nível do mar.  Assim como o vinho, a lavanda tem seu 'terroir' - condições específicas de solo e clima - que produz óleos de alta qualidade. 

De acordo com as casas de fragrâncias mais reputadas no mundo, no quesito aroma, considera-se que o óleo francês tem um odor floral, frutado e canforado, com uma nota de saída aromática do tipo alcaçuz. Por sua vez, o óleo búlgaro pode ser descrito como floral e frutado, mas menos fresco, com uma nota de topo levemente herbácea e áspera. Para perfumistas finos, isso pode significar um "não, obrigado".

Como alternativa, alguns produtores estão tentando cultivar a Lavanda em outras regiões da França, como nos planaltos de calcário do Maciço Central (Grand Causses) - e está funcionando. Além disso, algumas variedades de Lavanda também estão sendo cultivadas com sucesso em países como Reino Unido, Turquia e Brasil (por aqui, a Lavandula dentata foi a que melhor se adaptou). Sinal de que o 'ouro azul' possivelmente ainda continuará reinando entre as plantas aromáticas mais usadas da Aromaterapia.

TEXTO: BRUNO VIEIRA FEIJÓ, cofundador da loja online Beleza do Campo

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